O Legado de Lemann

Em abril de 2008 a revista Época Negócios fez uma grande reportagem sobre o legado que Jorge Paulo Lemman e seus parceiros (Beto Sicupira e Marcel Telles) deixaram para o meio empresarial brasileiro.

Esse legado é a chamada “Cultura Garantia” que trouxe para o Brasil um modelo de gestão baseado na meritocracia, no partnership e na gestão por resultados – algo muito inovador para a época.

Apesar de terem se passado vários meses desde a publicação, as lições de gestão e liderança desse trio continuam sendo oportunas e atuais.

Segue abaixo uma versão adaptada da “Cultura Garantia”.

A CULTURA GARANTIA

O QUE É

* CULTURA DE DONO
o A idéia é que o sujeito que se considera dono do negócio é muito melhor do que aquele que está ali porque recebe salário. Para isso, deve ter autonomia para decidir, responsabilidade pelo resultado e participação nos lucros.

* SIMPLICIDADE
o Salas sem paredes, roupas informais e poucos níveis hierárquicos. Tudo deve ser resolvido simples e rapidamente.

* PRÊMIO
o A meritocracia se dá pela criação de metas para tudo. Não há limites para os bônus salariais dos que as superam. Os salários fixos são inferiores a média mas a cada semestre 25% do lucro líquido do banco era dividido entre os associados de acordo com o seu cargo e o desempenho auferido.

* BENCHMARK
o Desprendimento e humildade em copiar bons exemplos e adaptá-los. Além disso uma preocupação genuína em implementar com sucesso.

* LIDERANÇA
o Na “cultura Garantia”, uma companhia não é uma pirâmide, com níveis hierárquicos que se afunilam até a inexpugnável cúpula. A arquitetura é a de um circo romano. O que significa que o líder está no centro, onde todos podem vê-lo. E isso praticamente o obriga a liderar pelo exemplo.

* DEDICAÇÃO
o No Garantia não havia dias tranqüilos. A frase que resume essa filosofia é a que diz que um dia é 5% do mês. O próprio Marcel Telles, no entanto, já admitiu que esse regime de dedicação integral à empresa, foco nos resultados e expectativa de bônus milionários não é para todo mundo. A respeito disso, ele toma emprestado o lema dos marines americanos: “Few and Proud” (“Poucos e Orgulhosos”).

* EFICIÊNCIA OPERACIONAL
o Sistema de produção à japonesa aliados a métodos de planejamento para a redução de custos e métodos para execução e verificação das economias.
o “Ser paranóico com custos e despesas, que são as únicas variáveis sob nosso controle, ajuda a garantir a sobrevivência no longo prazo”, diz um dos 18 mandamentos da “cultura Garantia”

Esse modelo de gestão incorporado e aprimorado no antigo Banco Garantia (comprado pelo Credit Suisse em fins da década de 90) se espalhou por empresas como Ambev, Lojas Americanas, ALL e várias outras. Executivos do porte de Armínio Fraga, Cláudio Haddad e André Lara Resende também se formaram nessa escola.

É interessante notar que a meritocracia e o sistema de partnership são a base de todos esses princípios e uma das principais razões da qualidade dos sistemas de gestão observados nessas empresas. Não é surpresa que várias empresas de sucesso utilizem uma combinação de ambos dado que essa tem sido a melhor maneira de alinhar os interesses de acionistas e funcionários.

A meritocracia em especial tem um princípio simples – os melhores precisam ser bem recompensados pelos resultados que trazem. O partnership por sua vez reforça o vinculo entre os interesses de talentos e acionistas.

Logo, do ponto de vista dos funcionários, essa combinação tem tido muito sucesso em recompensá-los, remunerá-los, reconhecé-los e motivá-los. Ainda mais quando comparado ao sistema paternalista, onde a politicagem e o favoritismo costumam influenciar os sistemas de RH.

Os acionistas por sua vez já reconheceram que é basicamente de talentos que as grandes empresas são feitas. Esses talentos contribuem na geração superior de valor, em especial na geração de valor relacionado aos Ativos Intangíveis (http://www.domsp.com.br/maison/conceitos-proprietarios#oasisdevalor ) .

Os diversos cases de sucesso são realmente muito impressionantes; no entanto, sabe-se que a adoção de um sistema de gestão e de um sistema de valores que funcionem não são feitas da noite para o dia, uma vez que devem considerar fatores como a cultura e a história da empresa.

Mas porque não aproveitar um comentário do próprio Lemann que disse:. “(…) se tem alguém fazendo bem, melhor não gastar muito tempo procurando como fazer. Vai lá, olha e adapta da sua maneira, e pronto.” ?

Por Thiago de Assis (thiago.assis [at] domsp.com.br)

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